Cirurgia Abdominal

cir-abdominalA cirurgia do abdome, também chamada de abdominoplastia ou dermolipectomia abdominal, consiste em um descolamento da parede abdominal até o apêndice xifóide e rebordos costais, efetuando a tração do retalho (da pele) e retirando os excessos de gordura e pele. Nos casos em que há uma diastase dos músculos reto abdominais (afastamento dos músculos da linha média em consequência de gravidez ou obesidade), faz-se uma sutura dos músculos, trazendo-os para o lugar de outrora; tratando-se dessa forma a protrusão do abdome.

Pré-operatório

  • Os pacientes fumantes devem deixar de fumar pelo menos 30 dias antes e 30 dias depois da cirurgia;
  • Uso de anti-concepcional e terapia de reposição hormonal, se possível, deverão ser suspensos um mês antes da cirurgia, sendo retomado seu uso somente um mês após a cirurgia. Este cuidado deve ser tomado para que se minimize o risco de trombose nas pernas;
  • Não tomar nos 15 dias que antecedem a cirurgia: AAS, Melhoral, Buferim, Aspirina e anti-inflamatórios;
  • Os pacientes hipertensos não devem interromper o medicamento anti-hipertensivo, salvo sob orientação do seu cardiologista;
  • Os pacientes diabéticos deverão ser avaliados pelo endocrinologista que orientará a conduta adequada, quanto ao uso da medicação;
  • Realizar os exames pré-operatórios indicados;
  • Tirar fotos para estudo e comparação;
  • Fazer jejum 8 horas antes da cirurgia, inclusive de água;
  • Antes da cirurgia, lavar a cabeça com shampoo neutro e tomar banho usando sabonete antisséptico (Soapex 1%);
  • Não ingerir mamão (papaverina) nos 15 dias que antecedem a cirurgia.
  • Em alguns casos, pode ser necessário o uso de cintas compressivas nos 15 dias que antecedem a cirurgia;
  • Providenciar a cinta compressiva conforme a área a ser operada e trazer para a clínica no dia da cirurgia, pois será utilizada no pós-operatório imediato. A cinta deve ficar confortável ao vestir, não devendo ser muito apertada;
  • Outras recomendações serão dadas de acordo com as peculiaridades de cada paciente.

 

Técnica cirúrgica

A técnica operatória consiste no descolamento de toda a pele e gordura da parede anterior do abdome e sutura dos músculos abdominais, partindo de uma incisão (corte) na prega inguinal. Será feito de forma que a cicatriz fique encoberta o máximo possível pelo biquíni. Ao final da cirurgia coloca-se um dreno para prevenir formação de hematomas e seromas. Em alguns casos, quando necessário, associa-se a lipoaspiração.

Anestesia

Será indicada pelo anestesista responsável, sendo geralmente utilizada a anestesia peridural com sedação.

Internação

 

Será por um período de 24h, em alguns casos podendo chegar a 48h.

Pós-operatório

  • Repouso no leito em posição de Fowller (dorso e pernas elevados);
  • Dormir na posição de Fowller  por um período de aproximadamente 20 dias;
  • Tomar banho com sabonete antisséptico (Soapex 1%) com 24 horas da cirurgia;
  • Usar analgésicos e antibióticos conforme orientação médica;
  • O edema (inchaço) é normal e persiste por mais ou menos 90 dias;
  • Os drenos serão retirados conforme a drenagem, sendo normal permanecer por 5 ou mais dias;
  • Usar cinta modeladora por um período de 2 meses. As marcas recomendadas são: Yoga, Cinta moderna, Duloren, Bandage  etc.
  • Eventualmente poderá ser indicado drenagem linfática;
  • Os pontos serão retirados com aproximadamente 15 dias, podendo ser retirados um pouco antes ou depois, dependendo de cada caso;
  • Uso de “bolinha” no umbigo para prevenção de quelóide e retenção da cicatriz, por um período de 2 meses;
  • O paciente não deve fazer repouso absoluto em hipótese alguma. O paciente que fica restrito ao leito tem maior risco de complicações como trombose venosa profunda (nas pernas). Deve ser iniciado a deambulção o mais precocemente possível.
  • Fazer massagem nas panturrilhas (batata da perna) com creme, devendo ser feita pelo acompanhante, assim que o paciente retornar do centro cirúrgico. Deve ser feita pelo menos três vezes por dia, até que o paciente esteja andando ativamente.
  • Não fazer compressa fria ou quente no local operado. Estas áreas geralmente apresentam alteração na sensibilidade, o que pode facilitar a ocorrência de queimaduras;
  • Evitar exposição ao sol por 90 dias;
  • Evitar exposição solar da cicatriz por um período de 6 meses (utilizar protetor solar quando for ao clube ou praia);
  • No décimo-segundo dia de pós-operatório iniciar massagem circular com a ponta dos dedos nas cicatrizes, usando hipogloss.
  • Alguns pacientes deverão usar a fita de micropore sobre as cicatrizes por um período de 3 meses, em outros serão usadas pomadas cicatrizantes;
  • O retorno ao trabalho ocorrerá por volta de 30 dias;
  • O paciente poderá dirigir veículos em torno de 20-30 dias;
  • O paciente deverá fazer no mínimo 7 retornos após a cirurgia (2,3 e 4 semanas de pós-operatório; 2, 3 e 6 meses, e com 1 ano);
  • As consultas de retorno serão feitas no consultório e devem ser marcadas com antecedência.

 

Complicações Possíveis

  • Infecção: proliferação bacteriana no foco cirúrgico com reação inflamatória (calor, vermelhidão, inchaço e dor) e formação de pus no local, acompanhado de febre;
  • Hematoma: acúmulo de sangue no local da cirurgia com expansão tecidual;
  • Seroma: acúmulo de líquido (soro ou plasma, parte líquida do sangue) no espaço deixado pelo descolamento do tecido. Ocorre um abaulamento da área;
  • Necrose gordurosa: morte da gordura por comprometimento da circulação arterial;
  • Necrose da pele: morte do tecido (pele) pela falta de circulação sanguínea;
  • Deiscência de sutura: abertura dos pontos;
  • Embolia gordurosa: liberação de partícula de gordura na circulação obstruindo vasos sanguíneos, causando comprometimento tecidual, etc;
  • Trombose venosa profunda: formação de trombos nas batatas das pernas levando a um quadro de inchaço e inflamação no local. Pode evoluir com formação de embolia pulmonar;
  • Embolia pulmonar, por formação de trombos;
  • Depressões e abaulamentos;
  • Prurido (coceira) na ferida operatória;
  • Formação de quelóide na cicatriz. Trata-se de uma complicação que não é possível de ser prevista no pré-operatório, mas é mais comum nas pessoas da raça negra ou amarela. Existem formas de tratamento para este tipo de complicação mas algumas vezes os resultados são frustros;
  • Dores e dolorimento ao contato.

Recomendações

  • Comunicar qualquer alteração que possa ocorrer, quanto ao seu estado geral, até a véspera da internação.
  • Não fazer maquiagem e nem pintar as unhas no dia da internação;
  • Trazer os exames pré-operatórios no dia da internação;
  • Um acompanhante deverá ficar junto com o paciente no pós-operatório, durante a internação hospitalar;
  • Qualquer dúvida ou problema que surgirem antes ou após a cirurgia entrar em contato com o seu médico (Dr. Humberto Brasiliense 9994-2626, consultório 3345-7203 ou 3345-1619).

 

Observação

 

 

  • A cirurgia plástica é uma cirurgia de modelagem e de detalhes, em alguns casos pode ser necessário um 2° procedimento ou refinamentos para um resultado final mais apurado. O paciente deverá arcar com os custos hospitalares caso seja necessário uma segunda intervenção, mas estará isento de novos honorários médicos.
  • Caso ocorra alguma intercorrência durante a cirurgia, e o paciente venha necessitar de internação em UTI, os custos da UTI serão pagos pelo paciente ou pelo seu plano de saúde.

Perguntas frequentes

· P: QUANTOS QUILOS VOU EMAGRECER COM A DERMOLIPECTOMIA ABDOMINAL?

· R: Sendo uma cirurgia que retira determinada quantidade de pele e gordura, evidentemente haverá uma redução no peso corporal, que varia de acordo com o volume do abdome de cada paciente. Não são, entretanto, os “quilos” retirados que definirão o resultado estético, mas sim as proporções que o abdome mantenha com o restante do tronco e os membros. Paradoxalmente, os abdomes que apresentam melhores resultados estéticos são justamente aqueles em que se fazem as menores retiradas. Assim é que a maioria das mulheres apresentam certa “flacidez” do abdome após 1 ou vários partos, com predominância de pele sobre a quantidade de gordura localizada na região. Estes casos nos permitem excelentes resultados. Em outros casos, em que o paciente está com o peso acima do normal, o resultado também será compensatório e proporcional ao restante do corpo; entretanto, vale a pena lembrar que “excesso de gordura” em outras regiões vizinhas do abdome ainda existirão, o que nos leva a aconselhar àquelas que assim se apresentem a prosseguir com um tratamento clínico ou fisioterápico, para equilibrar as diversas partes entre si.

· P: A CIRURGIA DO ABDOME DEIXA CICATRIZ MUITO VISÍVEL?

· R: A cicatriz resultante de uma dermolipecitomia localiza-se horizontalmente logo acima da implantação dos pelos pubianos, prolongando-se lateralmente em maior ou menor extensão, dependendo do volume do abdome a ser corrigido. Esta cicatriz é planejada para ficar disfarçada sob as roupas de banho (há casos, mesmo em que a própria “tanga” poderá ser usada), e infalivelmente passará por vários períodos de evolução, como se segue:

a- PERÍODO IMEDIATO: Vai até o 30º dia e apresenta-se com aspecto excelente e pouco visível. Alguns casos apresentam discreta reação aos pontos ou ao curativo.

b- PERÍODO MEDIATO. Vai do 30º dia até o 12º mês. Neste período haverá espessamento natural da cicatriz, bem como mudança na tonalidade de sua cor, passando de “vermelho” para o “marrom”, que vai, aos poucos, clareando. Este período, o menos favorável da evolução cicatricial, é o que mais preocupa as pacientes. Como não podemos apressar o processo natural da cicatrização, recomendamos às pacientes que não se preocupem, pois o período tardio se encarregará de diminuir os vestígios cicatriciais.

c- PERÍODO TARDIO: Vai do 12º ao 18º mês. Neste período, a cicatriz começa a tornar-se mais clara e menos consistente atingindo, assim, o seu aspecto definitivo. Qualquer avaliação do resultado definitivo da cirurgia do abdome deverá ser feita após este período.

· P: EM QUANTO TEMPO ATINGIREI O RESULTADO DEFINITIVO?

· R: Na resposta anterior foram feitas algumas ponderações sobre a evolução da cicatriz. Entretanto, resta ainda acrescentar algumas observações sobre o novo abdome, no que tange à sua consistência, sensibilidade, volume, etc.

1- Nos primeiros meses, o abdome apresenta uma insensibilidade relativa, além de estar sujeito a períodos de “inchaço”, que regride espontaneamente.

2- Nesta fase, poderá ficar com aspecto de “esticado” ou “plano”. Com o decorrer dos meses, tendo-se iniciado os exercícios orientados para modelagem, vai-se gradativamente atingindo o resultado definitivo. Nunca se deve considerar como definitivo qualquer resultado, antes de 12 a 18 meses de pós-operatórios.

· P: É VERDADE QUE SERÁ FEITO UM NOVO UMBIGO?

· R: Não. O seu próprio umbigo será transplantado e, se necessário, remodelado. Deve-se levar em conta que, circundando o umbigo existirá uma cicatriz que sofrerá a mesma evolução da cicatriz inferior (descrita no item no. 02). Várias técnicas existem para a reimplantação do umbigo. Todas elas são passíveis de futuras revisões cirúrgicas, caso venha a ser necessário. Isto acontece em decorrência da anomalia na evolução cicatricial de certas pacientes, e é passível de correção, mediante uma pequena cirurgia sob anestesia local, após alguns meses.

· P: A DERMOLIPECTOMIA ABDOMINAL CORRIGE AQUELE EXCESSO DE GORDURA SOBRE A REGIÃO DO ESTÔMAGO?

· R: Nem sempre. Isto depende do seu tipo de tronco (conjunto tórax + abdome). Se ele for do tipo curto, dificilmente será corrigido. Sendo do tipo longo, o resultado será mais favorável. Também tem grande importância, sob este aspecto, a espessura do panículo adiposo (espessura da gordura) que reveste essa área do corpo.

· P: QUAL O TIPO DE MAIÔ QUE PODEREI USAR, APÓS A CIRURGIA?

· R: O tipo de maiô dependerá exclusivamente de seu próprio manequim. É claro que os decotes inferiores mais “generosos” (tangas) ficarão por conta dos casos em que os resultados sejam mais naturais . Lembre-se que o bisturi do cirurgião apenas aprimora suas próprias formas, que poderão ser melhoradas ainda mais, com cuidados de uma esteticista ou fisioterapeuta, desde que se associe estes tratamentos complementares logo nas primeiras semanas após a cirurgia.

· P: PODEREI TER FILHOS FUTURAMENTE? O RESULTADO NÃO FICARÁ PREJUDICADO?

· R: O seu médico ginecologista lhe dirá da conveniência ou não de nova gravidez. Quanto ao resultado, poderá ser preservado, desde que na nova gestação seu peso seja controlado por aquele especialista. Aconselhamos entretanto, que tenha todos os filhos programados antes de se submeter a uma dermolipectomia abdominal.

· P: OUVI DIZER QUE O PÓS-OPERATÓRIO DA DERMOLIPECTOMIA ABDOMINAL É MUITO DOLOROSO. É VERDADE?

· R: Não. Uma dermolipectomia de evolução normal não deve apresentar dor. O que existe é um grande equívoco por parte de certas pacientes, que são operadas simultaneamente de cirurgias ginecológicas associadas à dermolipectomia e relatam por isso, dores pós-operatórias. Nem todos os cirurgiões costumam recomendar esta associação de cirurgias, por constituírem certo risco operatório, além de apresentam inconvenientes como dores e resultados menos favoráveis.

· P: HÁ PERIGO NESTA OPERAÇÃO?

· R: Raramente a cirurgia de dermolipectomia traz sérias complicações, desde que realizada dentro de critérios técnicos. Isto se deve ao fato de se preparar convenientemente cada paciente para o ato operatório, além de ponderarmos sobre a conveniência de associação desta cirurgia simultaneamente a outras. O perigo não é maior nem menor que uma viagem de avião ou de automóvel, ou mesmo o simples atravessar de uma rua.

· P: QUE TIPO DE ANESTESIA É UTILIZADA PARA ESTA OPERAÇÃO?

· R: Anestesia geral ou peridural. Alguns cirurgiões estão empregando até mesmo a anestesia local sob sedação, em casos especiais.

· P: QUANTO TEMPO DURA O ATO CIRÚRGICO?

· R: Em média 90 a 120 minutos. Este período poderá ser prolongado, se o caso demandar. Entretanto, o tempo de ato cirúrgico não deve ser confundido com o tempo de permanência do paciente no ambiente de Centro Cirúrgico, pois, esta permanência envolve também o período de preparação anestésica e recuperação pós-operatória. Seu médico poderá lhe informar quanto ao tempo total.

· P: QUAL O PERÍODO DE INTERNAÇÃO?

· R: De 1 a 3 dias (evolução normal).

· P: SÃO UTILIZADOS CURATIVOS?

· R: Sim. Curativos especiais, trocados periódicamente pela equipe do cirurgião.

· P: QUANDO SÃO RETIRADOS OS PONTOS?

· R: A retirada dos pontos poderá ser iniciada em torno do 8o. dia, devendo ser feita de maneira seletiva, nos dias que se seguem. Raramente a retirada total passa de 2 semanas..

· P: QUAL A EVOLUÇÃO PÓS-OPERATÓRlA?

· R:  Não deve se esquecer que, até que se consiga atingir o resultado almejado, diversas fases são características deste tipo de cirurgia. Assim é que, no item 02, foi-lhe informado sobre a evolução cicatricial (até o 18º mês). No item 03, sobre a evolução da forma do abdome, bem como a sensibilidade, consistência, etc. Entretanto, poderá lhe ocorrer alguma preocupação no sentido de “desejar atingir o resultado final antes do tempo previsto”. Seja paciente pois seu organismo se encarregará de dissipar todos os pequenos transtornos intermediários que, infalivelmente chamarão a atenção de alguma de alguma pessoa que não se furtará à observação: “//SERÁ QUE ISTO VAI DESAPARECER MESMO?//”- É evidente que toda e qualquer preocupação de sua parte deverá ser a nós transmitida. Daremos os esclarecimentos necessários, para sua tranqüilidade. Em tempo: Em algumas pacientes, ocorre uma certa ansiedade nesta fase, decorrente do aspecto transitório (edema, insensibilidade, aspecto cicatricial, etc.). Isto é passageiro e geralmente reflete o desejo de se atingir o resultado final o quanto antes. Lembre-se que nenhum resultado de cirurgia do abdome deverá ser considerado como definitivo antes dos 12 aos 18 meses. Em caso de pacientes muito obesas, poderá ocorrer, após o 8o. dia, a “eliminação de razoável quantidade de líquido amarelado” por um ou mais pontos da cicatriz. Este fenômeno nada mais é do que o transudamento cirúrgico e a liquefação da gordura residual próxima à área da cicatriz que está sendo eliminada, sem que isso venha a se constituir como complicação. Existem recursos para evitar que esse vazamento venha a lhe ocorrer em situações inoportunas.